segunda-feira, dezembro 04, 2006

O Céu a Seu dono: Dicionário Imaginário

CORPUS – No debate sobre o aborto, haverá uma parte que se decide por argumentos “científicos”, e outra que se decide apesar, ou contra, os mesmos. Não vejo que se possa inventar a pólvora, neste campo, mas quero adendar uma reflexão.
Não falo aqui, obviamente, dos pais (masculinos) que se desinteressam pela vida que ajudaram a criar, mas dos outros. O “direito ao corpo” também os abrange. Nos corpos das mães há parte dos seus corpos.
No fundo, o “direito ao corpo” só se poderia aplicar, neste domínio, se houvesse caso de auto – impregnação da mãe por substância gerada pela própria. O direito positivo, em muitos países civilizados, segue o mesmo caminho, ao descriminalizar o aborto nos casos de violação, entendendo-se que houve aqui um fenómeno (externo) de coacção, intolerável e não constitutivo de direitos (será para alguns discutível, mas é assim).
Por outro lado, como é também evidente, a vontade do pai interessado, que gerou com anuência, não é suficiente, dado que, em linguagem simples, só disporia do direito a “metade do corpo”.
Agora que chego a esta encruzilhada, lembro-me do juízo salomónico. Para descobrir a verdadeira mãe, o rei de Israel propôs dividir a criança reclamada em dois. A que aceitou o acordo era, por definição, falsa.


MENDES, Marx – Dizem-me que há pessoas dentro do PSD que andam “desiludidas” com Cavaco. Mas o monarca constitucional nunca escondeu ao que vinha. Já teve a sua dose de partidarite, e desde o tabu que vem avisando a navegação laranja (e as outras tripulações): não esperam nada de mim.
A ocasião da “desilusão” deveria servir à laranja manual (isto é, ex-mecânica) para,
definitivamente, deixar de tentar viver à sombra de Belém. Não se trata de, a partir daqui, começar a insultar Cavaco, como fazem alguns notórios pouco notáveis. Não se trata de boicotar a presidência, ou de amuar, ou de a afrontar. Trata-se de perceber que o seu reino não é deste mundo.
Ao mesmo tempo que, com a infantilidade que se lhe reconhece, o CêDêéSse (ou é o Pêpê, não sei) adula o professor belenense, aceitando todas as migalhas do banquete do palácio (no dia a seguir à sessão para convidados), o pêéssedê poderia agora concentrar-se no essencial: fazer oposição a sério, todos os dias, explicando quando o poder vai nu, quando vai mal vestido, ou quando vai travestido, à custa dos ventres ao léu.Para isso, Mendes precisa, como dizia o outro, do “Marx colectivo”, e do Lenine, evitando, educadamente, os préstimos do homem de ferro da Geórgia.

1 Comentários:

Blogger Karina Falcão disse...

Blog muito bom!
Simples e objetivo... Como todo blog deve ser. Sucesso pra ti!

Abraços,
Karina

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quarta-feira, dezembro 06, 2006 1:35:00 da tarde  

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