sábado, dezembro 16, 2006

O Céu a Seu Dono (Dicionário Imaginário)

CAUTELAS (E CAUÇÕES) – Não percebo. Afinal fui a Teerão “caucionar” os negadores do Holocausto, ou sabotar o arranjinho (a bem de um Irão adulto e soberano, outra vez ligado à realidade, e não à demência)? Seria moral andar num “tour” organizado pelo MNE, e saber que o mesmo MNE organizava um barbecue nazi de trotil, não dizendo eu nada sobre a coisa?
É assim tão espantoso um acesso de indignação em terra alheia, de que se gosta a sério? E os organizadores pouparam imenso: não gastaram um centavo comigo. Espero que tenham investido bem na besta nazi. Vi muita gente bem nutrida, baloiçando a supremacia rácica no aeroporto.

HOLO, GRAMAS? – O holograma não é, obviamente, uma medida de peso. Mas, a propósito, diga-se uma coisa: no tempo da minha militância nacionalista, o nazismo estava ao lado do estalinismo, como inimigo principal. Espero bem que os verdadeiros nacionalistas europeus, nesta geração, saibam traçar um risco no chão, estabelecendo uma fronteira igual.

IMÃ DE PEITO - Fico a dever a minha vida, em Teerão, a muita gente. De lá, e de outros sítios, que lá está. Não vale a pena inventar espiões e conspirações. Não esqueço nenhum.
E lembro a história do homem do CNI espanhol, ferido na chacina iraquiana, que se arrastou, perseguido por guerrilheiros, cães e populares irados, até ver chegar, quando jazia, na lama e no sangue, um homem alto, vestido de branco. Com a mão, o Imã aconselhou calma, e beijou o militar espanhol ferido. O bando de caça debandou.
O sobrevivente acha que houve ali, na Babilónia, um milagre.
Eu vi um igual, na noite de dia 10.

MULA (DA COOPERATIVA) – Não fui ao Irão “medir o pulso” a uma determinada instituição, e saber se estaria preparada para uma verdadeira mudança.
Mas poderia ter ido.

2 Comentários:

Blogger Sofocleto disse...

«Não fui ao Irão “medir o pulso” a uma determinada instituição, e saber se estaria preparada para uma verdadeira mudança.»

Mas, de qualquer maneira, o que é que lhe pareceu? Estarão eles preparados para uma democratização em grande escala? Como a que aconteceu no Iraque?

sábado, dezembro 16, 2006 7:23:00 da tarde  
Blogger João Villalobos disse...

Olá Nuno,
Um grande abraço e a minha admiração pelo texto da intervenção e pela pachorra para tantas respostas aos Botelhos da vida :)

quinta-feira, dezembro 21, 2006 4:16:00 da tarde  

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