quarta-feira, outubro 03, 2007

SER CONSERVADOR: A VERSÃO ANGLO-SAXÓNICA - 7

"Por oposição aos abstractos Direitos do Homem, Burke falava dos concretos direitos de que o homem efectivamente era detentor e gozava. Usou às vezes a expressão "direitos naturais" mas significava com ela os direitos históricos, prescritivos, herdados no contexto de sociedades e sistemas jurídicos específicos: os direitos dos Ingleses, dos Americanos, dos Franceses ou dos Índios - não os do "homem" em abstracto. Mais uma vez, estabelece-se o contraste entre o particular e o geral, entre o histórico e o abstracto.

Para Burke, a continuidade histórica era central na compreensão da sociedade. Numa das suas frases mais citadas, descreveu-a como 'uma parceria entre os que hoje vivem, os que morreram e os que ainda estão por nascer'. Ou seja, o presente não é propriedade dos vivos, para dele fazerem o que lhe aprouver. É um património de que são fieis depositários. Têm a responsabilidade fiduciária de o transmitir em boas condições. Era essa responsabilidade que os revolucionários estavam a trair. Em nome da razão, da liberdade e da igualdade, estavam a destruir todas as instituições históricas da autoridade legítima.

Desaparecida a autoridade, o resultado não seria a liberdade mas uma crescente dependência da pura força para impôr a obediência e manter a ordem. Com extraordinária visão e sem precedentes históricos que lhe servissem de guia (o conceito de totalitarismo ainda estava por inventar), nos alvores da revolução, quando reinavam ainda o idealismo e o optimismo, Burke intuíu que acabaria em terror e tirania."

Owen Harries, "What Conservatism Means", The American Conservative, Novembro de 2003

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