domingo, junho 22, 2008

NOSTALGIAS - UM POEMA DE ALEXANDRE O'NEILL

Alexandre O'Neill
Às vezes a memória vem assim, de surpresa, a propósito de uma rua antiga onde não passávamos há muito tempo, de uma ternura que ficou de uma adolescente vista numa janela de um bairro que não era o nosso, de um domingo de Verão na cidade deserta, de um passeio de transporte público com alguém especial.
Foi assim que vim parar a este poema do Alexandre O' Neill, nesta manhã de Domingo de Junho, que aqui no Oeste amanheceu nublado, da côr do Mar ali no Baleal.

"HÁ PALAVRAS QUE NOS BEIJAM"

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

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