domingo, junho 22, 2008

QUE FITA VAI HOJE? - REVISÂO DA MATÉRIA DADA

Há um aspecto (é mesmo a palavra) das sessões televisivas de cinema que devia ser aqui mencionado - ou, se já foi, mais vezes do que tem sido. E vem a propósito: é a dos filmes feitos em cinemascope serem quase sempre passados depois de estropiados pelo processo dito de pan and scan, um método que esquarteja a imagem filmada para a adaptar à dimensão dos chamados écrans de televisão, o que altera consideravelmente os valores estéticos desses filmes (todos os pormenores no Google, em pan and scan, caso alguém esteja interessado): vemos um filme diferente daquele que, bem ou mal, foi pensado e filmado. Foi o que aconteceu ontem mais uma vez com Tiro de escape. E o que provavelmente vai acontecer daqui a meia-hora, quando passar (fica o aviso) no TCM, às 20.00, Planeta proibido (Forbidden Planet, Fred M. Wilcox, 1956, torno a dizer). Revistos Tiro de escape e Chacal, verifico que o filme do muito incensado Peckinpah envelheceu pior, nalguns aspectos, do que o do menos reputado Fred Zinneman. O Chacal traz muitas coisas à lembrança. Conta, como se sabe, a história fictícia de uma tentativa de atentado contra De Gaulle (é uma de pelo menos duas cinematizações dos best-sellers de Frederick Forsyth que deram filmes bem melhores do que os livros; o outro em que estou a pensar é Dogs of war, de John Irvin, 1980). Passa-se no princípio dos anos 60, logo a seguir à execução de Bastien Thiry, o último fuzilado de França, após o atentado falhado do Petit Clamart. Ainda estavam bem abertas as feridas da guerra da Argélia, a França do dia a dia não era assim tão diferente do Portugal da mesma época e no berço da Liberdade os "serviços" democráticos torturavam até que mort s'ensuive, se necessário, os "inimigos do Estado", sem remorso de maior. Num papel muito secundário - um polícia, no último quarto de hora - vê-se o actor francês Philippe Léotard, que ganharia depois alguma importância no cinema francês e morreu (novo?) em vésperas de fazer sessenta e um anos, em 2001; também andou cá por Lisboa; foi o principal intérprete de Pandora, de António da Cunha Telles, (1996).

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