segunda-feira, outubro 23, 2006

Para ler: Maurras, de novo




Charles Maurras (1868-1952), um dos pensadores "de direita" mais originais e influentes do século XX, não deixa de exercer o seu fascínio cíclico sobre amigos e inimigos.

Talvez porque, ao contrário de muitos dos seus "correligionários", foi um racionalista e um "empirista organizador"; talvez porque o seu nacionalismo integral, não sendo hostil, sempre olhou o fenómeno fascista, com diferença e não abdicou da velha hostilidade francesa à Alemanha; porque foi um polemista violento e virulento, mas também um poeta que, como poucos, contou o Sul, a Latinidade, a sua Provença e o seu Martigues natal; e porque, defensor da Catolicidade, liderando um movimento cujos militantes eram na sua maioria católicos praticantes, se manteve agnóstico até uma conversão de últimos tempos, marcada por um comovente sofrimento e testemunho também poético.

Porque influenciou as direitas nacionalistas - conservadoras e autoritárias em toda a Europa Latina e nas Américas, incluindo os integralistas e Salazar. E porque foi, acima de tudo, um lutador, um militante incansável das suas ideias, apesar de ser um esteta, um intelectual, um senhor, un homme du monde, que no seu tempo conheceu o sucesso junto das mulheres e da sociedade.

É este personagem que Stéphane Giocanti estudou na colecção "Grandes Biografias" da Flammarion. Obra que vamos ler e vamos falar no Futuro Presente, com detalhe.

Stéphane Giocanti, Charles Maurras, Le chaos et l'ordre, Flammarion, Paris, 2006 (575 pp., € 27)

3 Comentários:

Anonymous Cunha Leal disse...

E ele bem se fartou de dizer a Salazar; "aguente, aguente!"

Quem aguentou foram os portugueses.

segunda-feira, outubro 23, 2006 8:11:00 da tarde  
Blogger Fernando Martins disse...

E antisemita!

terça-feira, outubro 24, 2006 12:59:00 da tarde  
Blogger F. Santos disse...

Não se pode deixar de referir a sua notável e cristalina análise sobre o progressivo controlo das ideias por uma aliança cínica entre os homens do dinheiro e os progressistas.
O seu antisemitismo influenciou gerações de franceses que, com o caso Dreyfus e a ascensão de Léon Blum ao poder, tenderam a dar-lhe razão. A radicalização da sociedade francesa estava então no seu auge.

quarta-feira, outubro 25, 2006 9:30:00 da manhã  

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