sábado, fevereiro 10, 2007

Referendo:Última Reflexão

Há uma gente " humanista"e "humanitária", desenfreada nas causas de defesa de"fracos e oprimidos", embevecida na autocontemplação do"heroísmo" fácil de coluna de opinião , onde vão desfiando máximas de grande altruísmo e fulminando "tiranos"( daqueles que se podem desafiar sem grandes riscos, do falecido Salazar ao George W. Bush ou aos governos da UE,cúmplices dos voos da CIA) . E equiparam Guantanamo a Ausschwitz, Peniche ao Goulag, com toda a calma.E rasgam as vestes em protesto contra as depredaçoes da mãe -Terra;e massacram-nos a paciência com a sua admiração pelos budistas que dão a volta ao quarteirão, pra não perturbarem o carreiro das formigas ou o footing do caracol! Mas não os incomoda, nem um bocadinho abrirem a porta ao aborto "à la carte", com destruição da vida dos mais fracos entre os mais fracos, transformando em regra e meio banal de resolver "complicações a eliminação à partida de um ser que já é único e é o mais inocente e desprotegido de todos nós.

2 Comentários:

Blogger Pedro Botelho disse...

«Mas não os incomoda, nem um bocadinho abrirem a porta ao aborto "à la carte" [...] de um ser que já é único e é o mais inocente e desprotegido de todos nós.»

Não se trata de aborto "à la carte": trata-se da possibilidade de terminação de uma vida humana pré-mental, exactamente no sentido em que se deveria poder pôr termo (e por vezes pode) a uma vida humana pós-mental que se encontra em estado vegetativo incurável. Claro que no estágio de embrião/ feto, como no de zigoto, e até como no de um dado par «espermatozóide + óvulo» (também vivos e também humanos) a caminho um do outro, obedecendo sabe-se lá a que acasos ou determinismos ocultos, existe futuro à sua frente, mas em compensação não existe qualquer expectativa desse futuro, nem possibilidade de existência autónoma.

Numa coisa penso que todos concordaremos: não fossem tantos séculos de cristianismo e não existiria este abominável culto da «santidade da vida», este ídolo que continuará por muito tempo ainda a justificar as crueldades mais hediondas e as indiferenças mais obtusas.

Quanto à «unicidade»: é um facto genético incontroverso, mas desde quando é que isso é argumento? Serviria, por exemplo, para não se perder sequer uma hipótese de «ser único» através de sexo constante a todos os azimutes, voluntário ou forçado?

E a propósito de «inocência»: não tenho presente o momento exacto (nascença?) em que a criança (ou feto? ou embrião?) é conspurcada pelo pecado original decretado pelo deus dos judeus -- o tal que se limpa com a lixívia baptismal -- mas o que me choca a mim é a aceitação do aborto -- esse sim «à la carte» por via do ferrete -- por parte de quem se opõe de alma e coração ao tal «massacre dos inocentes e desprotegidos», no caso de ter existido violação. Como é que se justifica essa transferência de culpa do pai violador para o filho produto da violação?

domingo, fevereiro 11, 2007 2:33:00 da manhã  
Blogger Pedro Botelho disse...

Convém aliás não esquecermos estes importantíssimos dados para o futuro que todos desejamos menos abortivo e aflitivo. Transcrito de:
http://sim-referendo.blogspot.com/2007/02/fundamentos-extraordinrios.html

Sexta-feira, Fevereiro 9
Fundamentos extraordinários

Nesta campanha, nos vários debates em que estive, o "Não" repetiu sempre um argumento notável: deve ser negada a possibilidade de escolha das mulheres em fazer a IVG para dar lugar ao planeamento familiar e a políticas públicas de esclarecimento e aconselhamento familiar e sexual (como se ambas as coisas fossem incompatíveis em algum lugar com que nos gostamos de comparar…). E, normalmente, quase todos os circunstantes abanavam gravemente a cabeça, concordando.

E eu, sorrindo, recordava a batalha enorme que o Dr. Albino Aroso teve de travar há alguns anos para realizar em Portugal alguma coisa que se assemelhasse a "planeamento familiar".
«Pílulas?», diziam. Dar «preservativos à toa?», assustavam-se. E a «moral?», perguntavam. Isso vai destruir a «família», avisavam. «Educação sexual?», indignavam-se. Isso seria ensinar os nossos filhos a saberem «o que não devem fazer», sentenciavam.

E, agora, os mesmos, precisamente os mesmos, aqueles que andaram durante décadas a rugir contra os métodos contraceptivos e a educação sexual, chegam a este momento eleitoral ancorando quase toda a argumentação pública do "Não" naquilo que condenaram durante todo o tempo anterior. Agitam todo o acervo de razões que estigmatizam desde há décadas e que boicotaram sempre que lhes foi possível - «Ter um filho é um acto moral. Engravidar não pode ser um mero acidente», garantem alguns cheios de verdade na sua mão direita.
Mas, enfim, a coerência e a realidade nunca foram óbice bastante para os que se julgam os únicos defensores dos valores e dos princípios à face da terra e dos céus...

Publicado por CAA às 22:49

domingo, fevereiro 11, 2007 2:56:00 da manhã  

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