sexta-feira, fevereiro 02, 2007

31 Janeiro

A semana que passou foi pródiga em falecimentos de amigos. Uma semana triste, com a notícia das mortes, primeiro do Cor. Rodrigo da Silveira e do Prof. Ruy de Albuquerque: o Rodrigo da Silveira era sobretudo grande amigo do meu sogro; bravo oficial de Cavalaria, um excelente cavaleiro, um homem de grande carácter e integridade. Vi-o mais nos últimos tempos, por causa de um projecto editorial de "memória" de um amigo comum; na missa do sétimo dia, nos Jerónimos, olhando os cabelos brancos de muita gente, muitos militares da guerra de África, estava a lembrar-me do que ele viu e viveu nessas últimas memórias do Império, há 40 anos, quando esteve na ZOT e na segurança de Cahora Bassa.

Fui lá parar, a Cahora Bassa, há meia dúzia de anos, por uma dessas voltas curiosas que a vida dá. Ali nos Jerónimos, pensava nele e em todas essas últimas gerações do Império, lembrando-me da "Nostalgia de Hesíodo" de Carlos Eduardo de Soveral. Viemos depois ou antes do tempo dos Heróis? "Right people, wrong time".

Outro morto, amigo e ilustre, foi o Prof. Ruy de Albuquerque. Foi meu professor no 1º ano da Faculdade de Direito, quando era Assistente de Raul Ventura, em Direito Romano. Raul Ventura – diga-se en passant – era um professor extraordinário, de inteligência, de sentido de humor, dava umas aulas muito interessantes. Aliás, a sua especialidade não eram as histórico-jurídicas mas o Comercial. Mas fez um manual de Direito Romano interessantíssimo, típico de obra de um homem superiormente inteligente que tem de preparar e dar uma matéria em que não é um especialista. A partir da leitura de uma série de "manuais" de Direito Romano, Ventura conseguiu fazer magníficas lições.

Ruy de Albuquerque além de inteligência e auctoritas, como jurista, era um homem brilhante, um grande conversador, com sense of humor, larga memória. E era sobretudo uma pessoa de convicções firmes, e que não as mudava por modas ou vagas.

O terceiro desaparecido foi o Dr. Luís Ribeiro, Administrador da PTII. Conheci-o por pouco tempo, infelizmente, já estava doente. Mas era uma pessoa de grande lucidez, entusiasmo e sobretudo bondade. Os patetas pseudo-queirozianos que dominam "culturalmente" o espírito do tempo cultural e mediático, fizeram da bondade uma qualidade de "segunda ordem". Ser astuto, hábil, malandreco, chico-esperto, é que é bom.
O Luís Ribeiro estava nos antípodas desta "cultura". E a sua coragem de "viver habitualmente" e até ao fim, a trabalhar, a preocupar-se com um bom trabalho, é espantosa. Que Deus o guarde.

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