quinta-feira, novembro 15, 2007

UM MUNDO SITIADO

Roger Scruton é certamente um dos filósofos mais originais - e mais válidos - do pensamento conservador na actualidade. É já vasta a sua obra, marcada sempre por alguma irreverência e por ideias que, no fundo, todos tivemos já nalguma altura das nossas vidas, mas que não soubemos sistematizar e incluir num todo coerente e capaz de servir de argumentação para os combates ideológicos que temos de travar todos os dias.

A sua mais recente obra aparece-nos sob a forma de um pequeno livro com pouco mais de cem páginas intitulado Culture Counts - Faith and Feeling in a World Besieged, editado pela norte-americana Brief Encouters. Basicamente trata-se de uma reacção contra o niilismo e o relativismo que marcam a cultura dominante na actualidade. É, acima de tudo, uma defesa da cultura ocidental e dos seus valores perenes. Nos mais diversos sectores de actividade, na filosofia, na literatura, na música, na arquitectura, na educação.
Neste seu livro, Roger Scruton insurge-se contra a forma como estão a ser postos em causa todos os grandes valores da nossa cultura. Aqui se faz a apologia da necessidade de defendermos a educação musical dos nossos filhos contra a facilidade do pop; a necessidade de preservarmos a nossa paisagem contra as avançadas da arquitectura minimalista e dos seus autores que, inexplicavelmente, ganham sempre prémios de "integração na paisagem"; a necessidade de voltarmos a ler os clássicos e apreciar a pintura figurativa. Enfim, a necessidade de voltarmos a ver a cultura com padrões mais exigentes.
Contudo, se é trágico o retrato que o autor faz da situação actual, marcada por uma inteligentzia que dita as modas culturais e o modo de pensar das pessoas, também é verdade que conclui o seu livro com uma nota de esperança, enumerando diversos autores que, nos mais variados domínios, têm uma produção susceptível de ser integrada na corrente da grande cultura ocidental.
Não temos dúvidas que se trata de uma obra muito polémica e que suscitará grandes reacções dos mais variados sectores da cultura oficial. No entanto, é um livro que sabe bem ler e que, no fundo, diz aquilo que muitos pensam mas têm medo de dizer, pelo menos em voz alta.

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