terça-feira, fevereiro 26, 2008

QUE FITA VAI HOJE? - DÉCIMO PRIMEIRO DIA

É outra vez a vez da RTP Memória: hoje, às 22.05 dá-nos a oportunidade de rever O compromisso (The Arrangement, 1969), ante-penúltimo filme de Elia Kazan, salvo erro. Tenho de o tornar a ver (só o vi quando se estreou em Portugal) - mas suspeito que continuará a não ser um dos meus preferidos, embora haja quem diga que ganha em ser visto agora. Faye Dunaway, ainda em todo o seu esplendor, é uma das intérpretes, "contra" a senhora Deborah Kerr: FD tinha sido uma revelação dois anos antes, em Bonnie and Clyde, de Arthur Penn, mais um membro da geração da televisão - que dirigiu precocemente um Billy the Kid intelectual, The Left- Handed Gun, 1956, com o jovem e ainda muito "metódico" Paul Newman; houve também The Thomas Crown Affair, 1968, cujo tema era o "The Windmills of Your Mind", dos Bergman, Alan e Marylin, e de Michel Legrand, que ainda se ouve (foi a primeira versão de O caso Thomas Crown; na segunda, relativamente recente, com Pierce Brosnan no papel antes desempenhado por Steve McQueen, e Rene Russo, no de FD, deram-lhe um pequeno papel), o imortal Chinatown, de Roman Polanski, Os três dias do Condor, e muitos outros papéis, quase todos menos memoráveis, ou talvez a memória já não seja o que era.
Kazan, para mim, continua a ser o de Há lodo no cais (On the waterfront, 1954), A Leste do Paraíso (East of Eden, 1955), e Esplendor na relva (Splendour in the Grass, 1961), um magnífico filme "histérico", magnificamente fotografado por Boris Kaufman, com uma magnífica Natalie Wood, e um dos filmes mais melancólicos de sempre (é mais um texto de William Inge). E também, um bocadinho, o de A Face in The Crowd (Um rosto na multidão, 1957) e The Last Tycoon (1976) adaptação de um dos meus romances preferidos, o romance inacabado de F. Scott Fitzgerald que tem o mesmo título, com um Robert de Niro ainda não cristalizado.
Para os realmente noctívagos, duas notas: às 04.30 de amanhã o Canal Hollywood exibe A sangue frio, do nosso já várias vezes mencionado Richard Brooks, adaptação muito honrosa da obra prima de Truman Capote In Cold Blood (porque é que a melhor literatura em inglês, de há muitos anos a esta parte, se encontra no jornalismo?); às 02.45, no TCM, pasa um dos filmes menos interessantes de Sidney Lumet, The Hill; uma consulta ao Biographical Dictionary of Film de David Thomson serviu para me lembrar de um filme pouco falado de Lumet, Q&A, e da notabilíssima interpretação que nele tem Nick Nolte, provavelmente o melhor desempenho de toda a sua carreira.

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