domingo, fevereiro 17, 2008

QUE FITA VAI HOJE? - QUINTO DIA

Nos canais ditos generalistas, o domingo não é um grande dia de cinema, apesar de tardes cheias de filmes. À noite, os que há são ainda mais tarde do que o costume - e muitas vezes não só a más horas mas em má hora. Para hoje optei por me referir a dois filmes que são exibidos um atrás do outro no TCM a partir das 20.00: Intriga Internacional (um daqueles que estão sempre a ser repetidos), de Alfred Hitchcock (North By Northwest, 1959) e This Could Be the Night (mais um filme cinquentenário, 1957-1958), que é, tanto quanto me lembro e consegui verificar, a única comédia da carreira de Robert Wise (se descontarmos os lados humorísticos de West Side Story e The Sound of Music, os filmes mais conhecidos deste realizador). Robert Wise. que morreu em 2005, foi montador, em, por exemplo, Citizen Kane (O Mundo a Seus Pés, de Orson Welles), antes de passar à realização. Como realizador, assinou dois filmes de boxe que se destacam no género: The Set-Up ("Punhos de Campeão" - ? -1949, incluído geralmente no canon do chamado film noir) e Somebody Up There Likes Me, (Marcado pelo Ódio, a biografia de Rocky Graziano, com Paul Newman, 1956). Quanto a Intriga Internacional e ao seu realizador, não carecem, como se costuma dizer, de apresentação. Dá-se o caso que Manuel Gama, que fui buscar para patrono desta série de posts, escreveu sobre este filme no nº11 da revista Tempo Presente, uma grande revista cultural dos anos sessenta (o número um tem a data de Maio de 1959, outro cinquentenário a assinalar a seu devido tempo). O artigo tinha por título "Noves fora nada ou Hitchcock em corpo inteiro". Era um texto a contra-corrente da moda crítica do tempo e de que vou dar uma amostra: "Julgo que o grande estardalhaço internacional provocado pelos filmes de Alfred Hitchcock se deve ao facto de não terem os filmes de Hitchcock nada lá dentro. (...) Todo o crítico de cinema é um criador frustrado. A um crítico de cinema uma obra acabada por dentro e por fora, cheia de forma e de conteúdo, sem rarefacções por onde se possa insinuar a colherada criadora das ideias próprias, aparece sempre como uma coisa intrusa, desvirtuadora, sem receptividade. O que o crítico quer é uma fita que seja uma página onde se possa escrever, uma página branca onde se possam inserir todos os coteúdos". Eu continuo a divertir-me com Intriga Internacional e com outros destes perfeitos "espectáculos escorrentes como manteiga derretida". Mas acho graça à tese do Manuel - e ao facto de que muitos anos depois foi a tese de Tom Wolfe sobre a pintura moderna, no texto intitulado justamente The Painted Word, "A Palavra Pintada"...

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