quinta-feira, novembro 02, 2006

Nostalgias 5: Aditamento ao Golpe de Kapp


Esclarecimento: depois de ler o post anterior pensei que alguns leitores, não "iniciados nesta história dos Freikörper, poderiam pensar que o Comandante de Marinha Hermann Ehrardt - que era representado no retrato que ilustrava o texto - era o Wolfgang Kapp - o tal alto funcionário que, em Março de 1920, foi o "rosto político" do golpe dos "Corpos Francos" do qual Dominique Venner, em Baltikum, escreveria: "Raramente um assunto tão sério foi tratado com tal ligeireza". O Kapp é o civil de monóculo, à esquerda; Ehrardt é o oficial sentado na viatura, também à esquerda.
Eram 8000 homens. Ernst von Salomon, que não participou no golpe no terreno mas conhecia bem os seus camaradas, narrou os acontecimentos nos Reprovados. O golpe de Kapp aparecerá nos "manuais" do golpe de Estado, inclusive em Curzio Malaparte, como o golpe que não se deve fazer...
Os contactos com os outros corpos-francos não existiram: nem com Rossbach, nem com os bávaros; e os generais, tirando o Almirante von Trotha e o General Lütwitz, figuras de proa mas sem comando efectivo, ficaram de fora. Hans von Seeckt, o grande cérebro da Reichswehr, medeou entre o Governo socialista e os golpistas: "A Reichchswehr não dispara contra a Reichswehr" . Ficará como árbitro, até ao fim de Weimar, evitando a guerra civil "quente".A"fria"será ganha por Hitler.

A Brigada Ehrardt ocupou Berlim e içou a bandeira imperial. Recebeu algumas adesões nacionais sobretudo da Baviera. Mas, a partir de Stüttgart, o governo de Nöske, um social-democrata combativo, que esmagara, com os Corpos Francos, a insurreição dos espartakistas um ano antes, lança uma estratégia de contra-golpe, usando os sindicatos - a "greve geral" - recorrendo aos seus inimigos da véspera, e fomentando a rebelião na tropa comum. Os partidos do centro proclamavam-se também contra o golpe.
Kapp foge de avião para a Suécia, sem ter percebido muito bem o que lhe acontecera; os "voluntários" retiram, em lutas de rua com os comunistas; Ehrardt partirá na clandestinidade para Munique, e será uma espécie de agente clandestino de von Seckt, no meio dos ex-Corpos Francos, fundando a O.C. (Organization Consul) e depois a associação Sportverein Olympic. Os homens do seu corpo-franco dispersaram e muitos foram para as fileiras das S.A. ou dos Stahlhelm.
Erhrardt romperá com Hitler em 1934, depois da Noite das Facas Longas, refugiando-se na Suiça. Era um homem do Ancien Régime, um soldado imperial, não um político revolucionário. Como muitos dos "voluntários". Lansquenetes, não militantes.

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