sexta-feira, dezembro 15, 2006

Desenterrar o passado em Espanha


O PSOE de Zapatero, talvez para disfarçar o fracasso das negociações com a ETA, decidiu avançar, no Parlamento espanhol, com uma chamado "Lei da Memória Histórica", que pretende fazer, 70 anos depois do início da Guerra Civil de 1936-39 e 20 anos depois da transição pró-franquista, a revisão de todo esse processo.

O grande êxito da transição espanhola foi: pôr um ponto final, com uma amnistia cruzada, às sequelas de um conflito que matou mais de meio milhão de pessoas e que envolveu, política e emocionalmente, gerações de espanhóis e europeus durante meio século. Isto foi entendido e interiorizado pela maioria da população, mas há - lá como cá - a par de uma esquerda normal, civilizada, decente, uma esquerda revanchista, vingativa, arrogante, que quer reescrever a História e mudar o passado.

Quem teve a culpa da Guerra Civil? Quem quebrou a legalidade democrática depois das eleições de Fevereiro de 1936, ganhas pela Frente Popular? Muito antes dos militares se revoltarem, anarquistas e esquerdistas tinham queimado igrejas, assassinado opositores políticos, ocupado propriedades e desencadeado uma "guerra de classes" violentíssima por toda a Espanha. Quem começou? Quem provocou ou quem respondeu à provocação?

Sobretudo tal não importa. Mexer no passado, deste modo, não só é faccioso e injusto, como é estúpido

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