segunda-feira, abril 02, 2007

JEAN BAUDRILLARD

Morreu vai fazer um mês o "pensador pós-moderno" francês Jean Baudrillard, um dos nossos prazeres culposos. Há muitos, muitos anos, coabitei com ele (sem ideia de pecado) - numa revista que durante alguns anos se publicou em Madrid, com inusitado êxito, a Punto y Coma, do meu amigo Isidro Palacios, de Mariana de Albuquerque (Vaz Pinto), de Javier Esparza (hoje no ABC, se ainda lá está) - "expressão de ideias actuais sobre literatura, ciências, artes e imagens". Assisti ao nascimento da revista, na qual vieram a colaborar muitos nomes ilustres, entre os quais alguns talvez inesperados numa revista de "direita": lembro-me da concorridíssima festa de aniversário da revista, nos salões a transbordar da Sociedad General de Autores, estávamos nos finais de 1987, e na qual participaram o filósofo anarquista Javier Sádaba, o jornalista e intelectual "anti-franquista" Fernando Sánchez Dragó, o montanhista Luis Fraga, Vintila Horia, etc. No último número que tenho, datado de Abril de 1988, em vésperas da minha despedida de terras espanholas, era publicada justamente uma entrevista com Jean Baudrillard, cujo último parágrafo, a propósito, tem graça citar hoje, vinte anos depois: "Todo este fenómeno da Revolução Iraniana criou um efeito de fascínio muito mais interessante do que a problemática clássica do Terceiro Mundismo. Tem sido analisado como um caso de regressão religiosa, mas ao fim e ao cabo é uma questão de estratégias. Esta revolução é hoje o único elemento irredutível à influência ocidental; dir-se-á: e os direitos humanos? Muito bem, mas isso nada altera quanto à questão estratégica e à nova pujança deste universo simbólico." Já na sua Amérique formulava outra verdade mal compreendida que, modéstia à parte, nos podemos gabar de ter percebido antes ou ao contrário de muita gente: os "EUA são a versão original da modernidade" (citado por Joana Amaral Cardoso, no seu necrológio do DN) - e todo o "imperialismo" americano, no que tem de bem sucedido, deriva daí.
Jean Baudrillard também foi chamado à conversa no Futuro Presente, nº 40, a propósito da polémica que originou a publicação de um seu ensaio sobre a arte contemporânea na revista Krisis, de Alain de Benoist, uma daquelas tempestades em copos de água que a intelectualidade francesa conseguia - e agora tenta sem muito êxito - transformar em questões de transcendência mundial (L'extrême droite attaque l'art contemporain!). Depois publicaremos imagens.

1 Comentários:

Blogger Jorge Barcellos disse...

Visitem http://filosofiafrancesacontemporana.blogspot.com

é um curso para interessados no pensamento de Jean Baudrillard

quarta-feira, julho 25, 2007 2:54:00 da manhã  

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