domingo, outubro 14, 2007

MUSEU DO GENOCÍDIO

Vilnius é uma pequena e tranquila cidade báltica cheia de história, que se prepara exaustivamente para ser Capital Europeia da Cultura em 2009. O centro histórico está a ser alvo de restauro das fachadas, das ruas, dos monumentos. A vida é tranquila, as raparigas são bonitas, o nível de vida parece subir rapidamente.

A quem vagueia calmamente pelas suas ruas, nada parece lembrar que, também por aqui, passou a II Guerra Mundial e, sobretudo, uma brutal dominação comunista de mais de cinquenta anos. É claro que há sinais evidentes disso mesmo: as estátuas dos "libertadores" soviéticos ou o pavilhão desportivo, em pura arquitectura estalinista, construído sobre o antigo cemitério judeu.

O que também muita gente não sabe é que, em 1944, depois da traição do Ocidente e da invasão soviética, vários milhares de lituanos se refugiaram nas florestas para, durante nove anos (1944-1953), promoverem a resistência à invasão comunista. É claro que pagaram caro a ousadia. Para lembrar isso mesmo, a sede da KGB foi agora transformada no Museu do Genocídio, onde podemos visitar as caves, com as suas celas de tortura, de execução, de sofrimento. Vimos uma, especialmente dedicada à alta hierarquia da Igreja Católica Lituana, por onde passaram Bispos e Arcebispos. Entrámos também no gabinete do Comandante, vimos as fotos dos mártires. No entanto, porventura o mais chocante foi que nesse dia se realizava um qualquer aniversário e a antiga prisão era agora visitada pelos antigos presos. Rostos crispados, olhos húmidos, um velho recolhido numa cela a rezar (provavelmente a cela onde sofreu pela sua ousadia de patriota). Depois, repentinamente, música, uma música cantada por todos como que para espantar os demónios que ainda pairam por essas paragens.

Remédio para os comunistas actuais: visitem o Leste! Vejam o sofrimento que ainda hoje se vive quando essas gentes recordam os resultados da passagem dos comunistas. É o que fazem os jovens lituanos que, na escola, têm visitas guiadas ao seu passado recente.

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