quinta-feira, fevereiro 21, 2008

CUBA NO

Já é politicamente quase correcto criticar Fidel Castro ( Mas com cuidado. “Please note - recomenda a CNN aos seus jornalistas, numa recente nota interna - that Fidel did bring social reforms to Cuba – namely free education and universal health care, and racial integration [sic] in addition to being criticized for oppressing human rights and freedom of speech.” A informação, intitulada RULES OF JOURNALISM, e com o respectivo link, está no blog http://www.instapundit.com/.) Mesmo assim, o momento em que o ditador de Cuba se despoja das vestes do poder que exerce implacavelmente há 50 anos servirá para novas doses de mistificação. É uma boa altura para lembrar o hilariante panegírico de Alexandre Cabral Um Português em Cuba (Publicações D. Quixote, 1969), um impagável case study de desmistificação involuntária. Também se recomenda o documentado estudo de Julia E. Sweig Inside the Cuban Revolution (2002), um dos muitos livros publicados nos últimos tempos que retratam a revolução cubana sem a habitual e obrigatória reverência. É especialmente interessante a história do jornalista pró-castrista do "New York Times" Herbert Mathews, um livro que saíu há já dois anos, The Man Who Invented Fidel (Anthony DePalma, "Public Affairs", 2006), e que um crítico sintetizava assim no FT: "Os abjectos resultados da perda de objectividade". Os romances negros e brutais de Pedro Juan Gutiérrez, o filme de Julian Schnabel sobre Reinaldo Arenas Before the Night Falls (2000), em português Antes que anoiteça, ou o Havana - Cidade Perdida, de Andy Garcia, são bons antídotos para a visão rósea do regime castrista que resiste a desvanecer-se de vez - et pour cause. Chris Marker, um cineasta de esquerda, realizou em 1961 um documentário sobre os primeiros tempos da revolução cubana em que achava que estava a guardar para a posteridade aquilo "que um dia talvez seja considerado o momento decisivo de toda uma era da história contemporânea". Chamou a esse filme Cuba Sí! Mas não, Cuba No.

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