quinta-feira, outubro 26, 2006

O ensino da coragem


Morreu um dos meus autores preferidos: David Gemmell. Deixou interrompida a sua saga de Tróia, de que escreveu dois volumes. Todavia tinha um caderno de notas para o terceiro e último volume que certamente foi acabar para outro lado. Porteiro de boîtes nocturnas, homem de mil ofícios, aprendeu com a vida dura os valores essenciais de sempre que os gregos e romanos já tinham descoberto há séculos. Os homens estão condenados, segundo o poeta Hesíodo, na geração do ferro, a tentar descobrir a verdade, que lhes permanece vedada. Lutam uns com os outros por um lugar ao sol. Desprezam os velhos e querem sempre mudar o mundo através de utopias mobilizadoras, sem saber que a primeira idade - a do ouro - já passou. Gemmell é sem dúvida um escritor brilhante para quem a palavra escrita não tem mistérios. Os seus heróis assumem proporções gigantescas e os seus vilões também. A narrativa, sempre bem encadeada, é escaldante. Ele foi o herdeiro legítimo de uma tradição de escrita que percorre ainda Michael Moorcock (Elric), Feist ( a saga de Midkemia), David Eddings (várias trilogias) e mesmo as senhoras dos sonhos mais retesados como André Norton e Zimmer Bradley. Em vida, Gemmell não cessou de incitar, com as suas novelas bem arquitectadas, à coragem. Não uma coragem colectiva e informe de massas ululantes, mas à coragem individual, pensada, contida e mortalmente eficaz. Basta ler Druss- The Legend, Morningstar, Stormrider, Dark Moon, Waylander The Hawk Eternal, Sword in Storm, Winter Warriors, Troy, para nos darmos conta da sua capacidade para criar mitos, desenvolver e caracterizar personagens, fazer descrições brilhantes e a sua mestria em nos agarrar desde a primeira página. Enquanto em outros as primeiras vinte páginas convencem o leitor a não continuar e a colocar de lado a novela ou o ensaio, em Gemmell logo as primeiras páginas são ricas, intrigantes, incitando a explorar o mundo do autor e a acção rápida dos seus protagonistas. Não se pode querer mais de um autor reconhecido como um dos melhores, senão o melhor, de literatura fantástica. Os seus livros estão traduzidos em quase todas as línguas cultas da Europa, mesmo em português, pela Presença que também editou Ricardo Pinto, se bem que tudo tardiamente. Melhor e mais barato é ler em inglês os paperback. É uma enorme perda para a literatura e para os seus amigos distantes que nestes seus 57 anos de vida lhe acenam daqui, para lhe falar de quanto gostaram de tudo o que escreveu porque o que deixou é certamente um reviver de valores clássicos que ele decerto já verificou serem eternos. Pessoalmente, recomendaria a quem ler esta prosa, que busque na Amazon o seu nome. O seu site está em reformulação pela sua viúva que conta escrever como tributo ao marido, baseada nas suas notas, Troy III. Iremos certamente aguardar tal esforço com paciência.

3 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

Acho excelente este artigo sobre o Gemel.O FP dantes tinha muita coisa de realismo fantástici,"sword and sorcery",etc.Porque não explorar mais essa linha?

quinta-feira, outubro 26, 2006 8:45:00 da tarde  
Anonymous Anónimo disse...

Acho excelente este artigo sobre o Gemel.O FP dantes tinha muita coisa de realismo fantástico,"sword and sorcery",etc.Porque não explorar mais essa linha?

quinta-feira, outubro 26, 2006 8:46:00 da tarde  
Anonymous Anónimo disse...

É de facro uma linha quw se explorou antes de tempo e que agora aparece edititada em Portugal sem qualquer opinião FP. É triste

domingo, outubro 29, 2006 1:25:00 da manhã  

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