segunda-feira, junho 18, 2007

NO FAROESTE

O Far West já se escreveu assim em português: faroeste - nos tempos em que o faroeste ainda era vivo (quem, tirando gente de gerações em vias de extinção, como eu, ou cinéfilos muito esquisitos, ainda é capaz de ver e tomar a sérios os filmes de cowboys, o western?). A RTP 2, num daqueles curiosos ciclos de cinema em sessão dupla que tem programado nas noites de sábado, apresentou neste fim de semana um dos filmes - talvez o filme - em que o género foi mais dignamente enterrado: Os Pistoleiros da Noite (1962), de Sam Peckinpah (do Peckinpah ainda fresco, ainda não consagrado nem decadente, como começaria logo a ser, quase ao mesmo tempo), um filme conhecido em inglês por dois títulos, Guns in the Afternoon e - como aparece hoje em quase todos os livros de referência - Ride the High Country. Os dois protagonistas do filme, que tiveram ambos uma notável carreira em filmes do faroeste, são Randolph Scott e Joel Mc Crea. Interpretam dois pistoleiros em fim de carreira e tinham na altura a idade dos seus personagens, à volta dos sessenta anos (coisa, em si, revolucionária). Nasceram os dois perto do princípio do século passado (1898 e 1905), com pouca diferença de John Wayne (1907). O centenário do nascimento de Wayne está a ser comemorado com bastante mais pompa e circunstância do que os deles, que passaram sem história - e também mereceriam ter sido assinalados. Wayne, no entanto, tem outra dimensão, de facto. Acabo de rever um dos seus filmes em que menos se fala e que está disponível em dvd (obra do centenário?). Só o tinha visto uma vez, numa cópia um bocado estragada e mutilada, no Politeama de outros tempos, salvo erro, e não desilude: Hondo (1953), um belo filme de John Farrow. Não vamos falar, para já, de John Farrow, um realizador da mesma geração destes actores - nasceu em 1903 e que também dirigiu o famoso The Big Clock (1948), de que No Way Out (1987), com Kevin Kostner foi um muito razoável remake (adaptando uma história de crime passional ao cenário da Guerra Fria) e outros filmes dignos de menção; lembro, só por curiosidade, que foi pai de Mia Farrow, um duvidoso título de glória. Mas estas conversas não são como as cerejas, são ainda piores: acrescento ainda que num dos melhores filmes de Woody Allen (Hannah and Her Sisters, 1986) a mãe de Mia Farrow, a actriz Maureen O'Sullivan, interpretava o papel de mãe da personagem representada pela filha; o papel de pai coube nesse filme a Lloyd Nolan, outro nosso velho conhecido dos filmes americanos dos anos 30 e 40. Fiquemos por aqui.

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