quarta-feira, setembro 27, 2006

"Esquerda trágica"

"Uma esquerda agnóstica, adulta, sem bons nem maus, aliviada dos andaimes carunchosos do consolo moral. Sem complexo de superioridade. Sem pedestal providencial donde olhar sobranceiramente o povo, como libertador, ou as populações, como colonizador. Esse progressismo modesto saberá que nada lhe é devido, mas não de que será feito o depois de amanhã. O Bem absoluto e o Mal radical não são da sua competência. Só conhece o mal menor. Uma esquerda trágica seria uma esquerda que assumisse a sua parte de injustiça, que aceitasse partilhar a estupidez e a inteligência com os outros, porque sabe que os seus adversários também têm boas razões."
Régis Debray, "Pour une gauche tragique", Supplique aux nouveaux progressistes du siècle XXI, 2006)

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