segunda-feira, agosto 20, 2007

SER CONSERVADOR : A VERSÃO ANGLO-SAXÓNICA - 3

"Quando escreveu as 'Reflexões' [as Reflections on the Revolution in France] Burke há três décadas que estava envolvido em política ao mais alto nível. Era, no seu entender, uma actividade infinitamanete complexa, difícil e melindrosa. Os factores em jogo eram muitos e complexo o modo como se inter-relacionavam. Os políticos tinham de actuar em situações concretas, específicas, não em áreas gerais ou abstractas. Escreveu,

'A ciência da construção de uma Comunidade, ou da sua renovação ou da sua reforma, como qualquer ciência experimental, não pode ser ensinada a priori. É uma questão da mais melindrosa e complicada habilidade... Um estadista não é um professor numa universidade. Este tem apenas uma ideia geral da sociedade; o outro, o estadista, tem de combinar um certo número de circunstâncias com essas ideias gerais e tomar tudo em consideração. As circunstâncias são infinitas e combinam-se de infinitas maneiras; são variáveis e transitórias; quem não as tenha em conta não está só enganado mas doido varrido - é metafisicamente doido.'

Por outras palavras, discriminar em função das circunstâncias é sempre mais importante do que a coerência em termos dos princípios e da lógica, e insistir na coerência sem ponderar as circunstâncias e as consequências será provavelmente desastroso. Pensem nisto sempre que alguém insista em que porque tratámos de uma certa maneira o país X (em matéria de direitos humanos, por exemplo) seria hipócrita não tratar da mesma maneira o país Y, independentemente da diferença entre os dois países ou da diferença das relações que temos com um e outro. Como disse uma vez Dean Acheson, 'Não me preocupa minimamente que alguém me possa perguntar porque é que o que eu disse sobre a Grécia não é verdade em relação à China. Serei cortês. Serei paciente e tentarei explicar porque é que a Grécia não é a China. Mas sem grande entusiasmo.'

Para Burke, a sociedade não é uma colecção de indivíduos vagamente relacionados nem um mecanismo composto de partes intercambiáveis. É um organismo vivo e qualquer coisa que afecte o bem estar de alguma das suas partes afectará o todo. Assim, insiste ele, é 'com infinita cautela que qualquer homem se deverá aventurar a deitar abaixo um edifício que venha há muito respondendo em alguma tolerável medida ao propósito comum da sociedade'."

Owen Harries, "What Conservatism Means", American Conservative, Novembro de 2003

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